A Fábula da Verdade

Fábula do Oriente Médio

Certa vez, a Verdade resolveu visitar o palácio do Sultão. Ela se envolveu com véus claros e transparentes e, quando estava passando pelos portões, foi barrada pelo guarda, que falou:

— Quem é você?

— Sou a Verdade, quero falar com o Sultão.

O chefe dos guardas foi falar com o Sultão:

— Senhor, uma mulher desconhecida, quase nua, quer falar com o senhor.

— Como se chama?

— Chama-se Verdade!

— Verdade? Nunca! Diga a ela para ir embora imediatamente!

Entristecida, a Verdade foi embora.

No dia seguinte, a Verdade se vestiu de peregrina, com roupas simples e já gastas pelo tempo. Ela foi até o palácio do Sultão e, enquanto entrava pelos portões, foi interpelada pelo guarda, que perguntou:

— Quem é você?

— Sou a Verdade, quero falar com o Sultão!

O guarda não a reconheceu do dia anterior e foi falar com o Sultão:

— Meu senhor, há uma mulher pobre, vestida com roupas gastas e velhas, querendo falar com o senhor.

— Como ela se chama?

— Ela diz se chamar Verdade!

— Jamais! Já falei que a Verdade não pode entrar nesse palácio. Mande-a embora!

Entristecida, a Verdade foi embora.

No dia seguinte, a Verdade se vestiu com trajes riquíssimos, cobriu-se de joias e foi até o palácio. Enquanto passava pelos portões, o guarda perguntou:

— Quem é você?

— Sou a Fábula, quero falar com o Sultão!

O guarda foi até o Sultão e falou:

— Há uma mulher nos portões querendo falar com o senhor. Ela veste trajes ricos e está coberta de ouro e joias.

— Como ela se chama?

— Chama-se Fábula.

— Deixe-a entrar, que irei recebê-la. Preparem um banquete para servi-la.

Foi dessa forma que a Verdade conseguiu entrar no palácio do Sultão e pôde falar a ele todas as verdades que queria dizer.

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