O viajante árabe

História árabe

Certa vez, um viajante estava andando pelo deserto quando um elefante começou a persegui-lo.

O homem correu desesperado, tentando encontrar um lugar para se refugiar. De repente, ele viu um poço abandonado e, sem olhar, pulou no buraco.

Dentro do buraco, ele respirou aliviado, mas, quando seus olhos se acostumaram com a escuridão, viu, no fundo do poço, um monstro terrível, com garras enormes e uma língua sibilante.

Assustado, começou a se agarrar nos galhos secos para subir e sair dali. Quando estava quase saindo, apoiou seus pés em dois buracos na lateral do poço. Quando olhou para baixo, viu uma cobra saindo de um dos buracos e se enrolando em sua perna.

Ele se agarrou em um galho, e uma família de ratos começou a passar por entre seus dedos e a roer o galho.

Ele ficou parado, sem saber o que fazer.

Se saísse do poço, seria atacado pelo elefante; se caísse no fundo do poço, seria devorado pelo monstro; não podia mexer os pés por causa da cobra; não podia mexer as mãos por causa dos ratos.

Então viu, na lateral do poço, uma colmeia sem abelhas. Com a boca, ele mordeu o favo e sentiu sua boca se encher de mel.

Ele encostou a cabeça, fechou os olhos e, imóvel, respirou fundo, concentrado no sabor do mel.

Um tempo depois, ele abriu os olhos. Os ratos haviam pegado um pedaço do favo que ficou na parede e foram embora. A cobra que estava enrolada em sua perna havia voltado para o buraco. O monstro havia adentrado nas profundezas do poço.

Ele se apoiou para subir e viu que o elefante havia ido embora.

Conselho de vó: muitas vezes somos tomados por problemas para os quais não encontramos solução. Nessas horas, só podemos nos concentrar no que está bom para aguentar até o pior passar.

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4 comentários em “O viajante árabe”

  1. É realmente uma história de vó, daquelas que nos leva de volta a um tempo com cheiro gostoso de afetividade. É maneira que a nossa vó encontrava para nos mostrar que o desespero não resolve problemas. Já não se faz vó como antigamente.
    Procuro sempre ser uma vó afetiva.

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