História budista
Certa vez, para preparar seu filho, um rei o enviou a um importante monastério para estudar com um grande mestre.
Depois de alguns anos de estudo, o mestre enviou o príncipe para viver sozinho em uma cabana na floresta por um ano.
Sua tarefa era descrever todos os sons da floresta.
Passado um ano, ele voltou ao monastério e o mestre perguntou:
— Quais são os sons da floresta?
— Mestre, eu ouvi o canto dos pássaros, os gritos dos macacos, o vento balançando as árvores, o zumbido das abelhas…
Depois de ouvir todo o seu relato, o mestre falou:
— Volte à floresta para ouvir com mais atenção.
O príncipe não entendeu. Ele tinha descrito todos os sons, o que mais poderia ouvir?
Porém, ele fez o que o mestre mandou. Todos os dias, sentava-se em posição de meditação e ouvia a floresta.
Depois de mais um ano, ele voltou, e o mestre perguntou:
— Quais são os sons da floresta?
— Mestre, quando prestei atenção, pude ouvir o som das flores se abrindo, das plantas crescendo, o som do sol nascendo e aquecendo a terra, da grama bebendo o orvalho da noite. Pude perceber os sons inaudíveis da floresta vivendo.
O mestre, sorrindo, acenou com a cabeça em sinal de aprovação e disse:
— Ouvir o inaudível é ter a calma necessária para se tornar uma grande pessoa. Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, seus medos não confessados e suas queixas silenciosas, alguém pode inspirar confiança ao seu redor, entender o que está errado e atender às reais necessidades de cada um. A morte do espírito começa quando as pessoas ouvem apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem se atentarem ao que existe no interior das pessoas, aos seus sentimentos, desejos e opiniões reais. É preciso, portanto, ouvir o lado inaudível das coisas, o lado não mensurado, mas que tem o seu valor, pois é o lado mais importante do ser humano.
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