A princesa que queria rir

História russa

Era uma vez um fazendeiro com três filhos e uma filha. O mais velho era muito inteligente. O segundo era ótimo em negociar. O mais novo, Stefan, não tinha nenhum talento que chamasse atenção — mas tinha o dom mais raro de todos: sabia contar histórias como ninguém. Sua irmã mais nova, Militza, adorava ouvi-lo. Ela ria, gargalhava e esquecia qualquer preocupação. Stefan também amava o trabalho na fazenda e cuidava dos animais com carinho.

No mesmo reino vivia uma princesa — filha única do czar. Como não havia herdeiros homens, o czar decidiu criá-la como se fosse um príncipe. Desde pequena, ela estudava sem descanso. Professores iam e vinham: filosofia, estratégia, política, matemática, etiqueta, línguas antigas. Livros grossos empilhavam-se sobre sua mesa. Pergaminhos ocupavam seus dias.

Mas não havia tempo para brincar.

Não havia tempo para correr pelos jardins.

Não havia tempo para rir.

A princesa era admirada por sua inteligência, mas dentro dela morava uma tristeza silenciosa. À noite, quando o castelo ficava em silêncio, ela olhava pela janela e imaginava como seria simplesmente ser livre.

Um dia, já cansada, ela explodiu:

— Eu sou uma princesa! Quero a liberdade de fazer o que quiser!

— Você fala como filha de fazendeiro! — respondeu a dama de companhia.

— Quem me dera… — murmurou a princesa, com os olhos marejados.

O czar ouviu e ficou furioso.

— Uau! Uau! — gritou ele, como sempre fazia quando perdia o controle. — Tranque-a no quarto até que peça desculpas!

Mas a princesa não pediu. Sentia-se sufocada por tantos deveres, tantos estudos, tanta responsabilidade. Sem alegria, o castelo parecia uma prisão dourada.

Determinada, declarou:

— Só sairei daqui quando alguém me fizer rir de verdade!

O czar, finalmente, percebeu o quanto havia exigido da filha e anunciou por todo o reino: quem conseguisse fazê-la rir poderia casar-se com ela.

Muitos tentaram. Contaram piadas forçadas, fizeram truques exagerados, inventaram histórias absurdas. A princesa apenas suspirava. Nada tocava seu coração cansado.

Foi então que Stefan chegou ao castelo, incentivado por Militza.

Ao vê-lo, a princesa notou algo diferente: ele não parecia nervoso, nem interessado em recompensas. Parecia apenas… sincero.

Stefan começou a contar uma história estranha, simples, quase sem sentido. Não era exatamente engraçada — mas era leve. Era viva. Era cheia de pequenos detalhes do campo, dos animais, da irmã que ria alto demais.

A curiosidade da princesa despertou. Pela primeira vez em muito tempo, ela não estava estudando — estava ouvindo.

Então Stefan se inclinou e sussurrou:

— Mesmo que eu faça você rir, não precisa se casar comigo. Só quero que você seja feliz. Minha irmã acredita que você merece isso.

Algo dentro da princesa se aqueceu.

E, pouco a pouco, o sorriso apareceu. Primeiro tímido. Depois maior. Até que, finalmente, ela gargalhou — uma gargalhada verdadeira, que ecoou pelo castelo como um sino anunciando liberdade.

Não era apenas a história que a fazia rir. Era a sensação de ser vista, compreendida, tratada como pessoa — não como dever.

Quando Stefan se preparou para partir, a princesa segurou sua mão.

— Eu não quero que ele vá — disse ela ao pai. — Quero aprender a governar, sim, mas também quero viver. E com ele, eu posso ser forte e feliz.

O czar compreendeu. Percebeu que sabedoria não nasce apenas dos livros, mas também da alegria.

Stefan e a princesa se casaram. E, a partir daquele dia, o castelo continuou sendo lugar de estudos e responsabilidades — mas também de histórias, risadas e liberdade.

Porque até uma princesa precisa de tempo para ser feliz.

***

Apoie esse site

Clique aqui para ler a história A torre de Babel

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *