História chinesa
Há muito tempo, na antiga China, dizia-se que existia um deus responsável por algo muito importante: o tempo de vida de cada pessoa.
Seu nome era Cheu-Sing, o deus da longevidade.
Cheu-Sing era fácil de reconhecer. Ele parecia um velhinho simpático, com uma longa barba branca, bigodes curvados e uma cabeça bem grande e careca que brilhava como a lua. Muitas vezes ele carregava um pêssego nas mãos — uma fruta especial que, segundo as lendas, representava a vida longa e saudável. Às vezes também aparecia ao lado de uma tartaruga, um animal famoso por viver muitos e muitos anos.
O trabalho de Cheu-Sing era muito sério. Em sua casa nas estrelas, ele guardava várias tábuas de madeira. Nelas estavam escritos os nomes de todas as pessoas do mundo e o tempo que cada uma viveria.
Certa vez, porém, algo curioso aconteceu.
Um menino que morava em uma pequena aldeia encontrou um velhinho sentado à beira da estrada. Sem saber que aquele era o próprio Cheu-Sing disfarçado, o garoto decidiu fazer um gesto de gentileza.
Ele ofereceu ao velhinho uma pequena garrafa de vinho que seu pai havia guardado para uma ocasião especial.
— Tome, senhor — disse o menino com um sorriso. — Acho que o senhor vai gostar.
Cheu-Sing aceitou o presente e ficou muito feliz, pois gostava bastante de um bom vinho.
Naquela noite, quando voltou para sua casa nas estrelas, ele abriu a tábua onde estava escrito o destino do garoto.
Ali estava registrado que o menino viveria apenas 19 anos.
Cheu-Sing coçou a barba branca, pensou um pouco e sorriu.
— Um menino tão gentil merece mais tempo para viver aventuras — disse.
Então pegou seu pincel, apagou o número 19 e escreveu 90 no lugar.
E assim, por causa de um simples gesto de bondade, o destino do menino mudou.
Até hoje, na China, muitas pessoas se lembram de Cheu-Sing quando alguém faz aniversário, especialmente quando se trata de alguém mais velho. Elas acendem velas, oferecem frutas e agradecem a sua vida longa.
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