O peixe lúcio

História russa

Era uma vez, em uma pequena aldeia coberta de neve, um jovem chamado Emeliá.

Ele era conhecido por todos como um rapaz… diferente.

Enquanto os outros trabalhavam no campo, cuidavam dos animais ou buscavam lenha, Emeliá passava seus dias deitado sobre o fogão de pedra quentinho, olhando para o teto e sonhando acordado.

— Emeliá! Vá buscar água no rio! — pediam seus irmãos.

— Ah… depois eu vou… — respondia ele, sem se mexer.

Mas, apesar de sua preguiça, Emeliá tinha um coração bom. Nunca fazia mal a ninguém e sempre sorria quando alguém precisava de ajuda… mesmo que não levantasse para ajudar.

Um dia, com muita insistência, ele foi até o rio buscar água.

Quebrou o gelo com cuidado e mergulhou o balde. Mas, quando puxou de volta, levou um susto!

Dentro do balde havia um peixe grande, de escamas brilhantes como prata: era um lúcio.

De repente, o peixe falou:

— Emeliá, por favor, não me leve! Se me soltar, eu realizarei seus desejos.

Emeliá arregalou os olhos.

— Você fala?!

— Falo, sim. E posso ajudar você… basta dizer: “A mando do lúcio, por minha vontade…”

Emeliá pensou por um momento… e, como era bondoso, disse:

— Tudo bem, pode ir. Não quero te machucar.

Assim que voltou para a água, o peixe brilhou e desapareceu.

Emeliá coçou a cabeça.

— Será que funciona mesmo?

Então falou, meio desconfiado:

— A mando do lúcio, por minha vontade… que os baldes se encham sozinhos!

E, para sua surpresa, os baldes mergulharam no rio e voltaram cheios de água!

— Ora, isso é muito melhor do que trabalhar! — disse ele, rindo.

A partir daquele dia, Emeliá não queria mais fazer nada.

— A mando do lúcio, por minha vontade… que a lenha se corte sozinha!

E o machado começou a trabalhar sem parar.

— A mando do lúcio… que a água venha até mim!

E os baldes marchavam sozinhos até a casa.

Mas o mais curioso de tudo foi quando Emeliá disse:

— A mando do lúcio, por minha vontade… que o fogão me leve onde eu quiser!

E lá foi ele, sentado em seu fogão, deslizando pela neve, passando pela aldeia!

As pessoas olhavam espantadas:

— Um fogão andando?!

— E com Emeliá em cima?!

Um dia, o fogão passou pelo palácio do tsar.

A princesa, ao ver aquela cena tão estranha, não conseguiu conter o riso.

— Quem é aquele rapaz? — perguntou ela, curiosa.

Chamaram Emeliá ao palácio.

Mas, ao chegar lá, algo diferente aconteceu.

A princesa olhou para ele… e percebeu que, por trás da preguiça, havia alguém simples, gentil e verdadeiro.

E Emeliá, pela primeira vez, ficou sem palavras.

Ele até pensou em fazer um pedido ao peixe, mas parou.

Desta vez, não queria magia.

Queria tentar sozinho.

Aos poucos, começou a mudar.

Passou a ajudar mais, a levantar do fogão, a fazer as coisas com suas próprias mãos.

E, com o tempo, conquistou algo muito maior do que desejos mágicos: o respeito de todos e o carinho da princesa.

Eles se casaram, e Emeliá nunca esqueceu do peixe lúcio.

Nem da lição mais importante de todas: A sorte pode ajudar, mas é o coração e as atitudes que transformam a vida de verdade.

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