O três espíritos do Natal

História de Charles Dickens

Havia um homem muito rico chamado Ebenezer Scrooge. Ele era um homem de negócios e sua empresa prosperava há muito tempo. Apesar de ser muito rico, ele não gastava em quase nada, economizava em tudo o que podia e era conhecido como um avarento.

As pessoas não gostavam dele porque, além de avarento, também era muito grosso e mal-educado com seus funcionários e todos à sua volta.

Certa vez, ele fez seu contador, o Sr. Bob Cratchit, trabalhar até a noite na véspera de Natal. Aliás, ele achava o Natal uma época desprezível e nunca comemorava a data.

Porém, naquele ano o seu Natal foi diferente dos outros.

Por volta da meia-noite, ele deixou o seu funcionário Bob ir embora. Scrooge foi para sua casa. Ao chegar lá, encontrou o seu único parente, seu sobrinho, que o convidou para cear em sua casa.

— Natal é uma bobagem! — gritou o avarento. — Eu odeio o Natal!

Triste e cabisbaixo, seu sobrinho foi embora.

Antes de entrar em sua casa, apareceram alguns voluntários que arrecadavam alimentos para os pobres, mas Scrooge logo disse:

— Eu não faço doações. Quem quer comer que trabalhe por sua comida!

O miserável homem entrou em sua casa e se preparou para dormir. Em seu sonho, ele recebeu a visita de Marley, seu sócio que já havia falecido, que falou:

— Se você continuar assim, ficará como eu, assombrando a Terra para sempre. Será lembrado somente pela maneira grosseira com que tratou todo mundo. Para ajudá-lo, os três espíritos do Natal vão visitá-lo, e assim você poderá ser poupado desse destino terrível.

Em seguida, em seu sonho, apareceu o primeiro espírito, que falou:

— Eu sou o Fantasma do Natal Passado!

— O que você quer? — gritou Scrooge.

— Vou lhe trazer memórias!

Então ele começou a ver o seu passado. Viu quando foi abandonado pelos seus pais em um internato muito rigoroso e sentiu novamente toda a tristeza que viveu lá. Depois, viu o amor da sua vida, que o abandonou por causa da sua obsessão em ganhar dinheiro. Por fim, viu a sua irmã, mãe de seu sobrinho, que sempre foi gentil com ele, mas já havia falecido.

— Pare! — gritou Scrooge. — Não quero ver mais nada!

Ele foi levado a outro lugar, e o segundo espírito apareceu:

— Eu sou o Fantasma do Natal Presente!

— O que você quer?

Então o fantasma mostrou a ele o seu contador chegando em sua casa e sendo recebido por sua família. Ele viu que Bob tinha um filho doente e que não podia pagar seus medicamentos porque recebia muito pouco.

Essa imagem tocou o coração de Scrooge. Pela primeira vez em muito tempo, ele sentiu arrependimento. Abalado, ele falou:

— O que posso fazer?

Desta vez apareceu o terceiro espírito:

— Sou o Fantasma do Natal Futuro!

Então ele viu Bob enterrando seu querido filho, e toda sua família chorando.

Scrooge acordou suando em sua cama, em sua casa solitária.

Sentiu uma grande angústia por tudo o que havia visto. Percebeu que precisava mudar, que seu dinheiro não poderia ser mais importante do que as pessoas à sua volta, que ainda tinha a chance de fazer algo de bom e deixar boas lembranças quando partisse.

Ele se levantou, vestiu-se apressadamente, carregou consigo todos os alimentos gostosos que havia em sua casa e ainda levou um monte de dinheiro.

Foi à casa de Bob e encontrou sua família reunida comemorando o Natal. Deu-lhes várias coisas gostosas e ainda deu a seu contador um monte de dinheiro para o tratamento de seu filho. Foi embora apressado e, no caminho, encontrou os voluntários que arrecadavam alimentos para os pobres. Entregou-lhes mais alimentos e dinheiro para ajudarem os necessitados.

Em seguida, ele foi à casa de seu sobrinho e encontrou sua família reunida e, juntos, pela primeira vez, comemoraram o Natal.

Depois daquela noite, Scrooge se transformou em uma nova pessoa: era um bom patrão, um bom tio, uma boa pessoa para a sociedade.

Pela primeira vez em sua vida, ele foi verdadeiramente feliz.

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