História budista
Certa vez, em uma pequena aldeia nas montanhas, vivia um homem obcecado por controle. Ele queria, a todo custo, manter tudo em ordem.
Esse homem raramente sorria. Vivia sisudo, pensando em como deixar tudo organizado.
Ele sempre deixava tudo perfeitamente arrumado. Seus grãos eram contados, a água era medida; em sua casa tudo era calculado e mantido em ordem. Até mesmo seu tempo era controlado.
Certo dia começou uma tempestade na aldeia. Os ventos eram muito fortes e começaram a tirar tudo do lugar.
O homem, desesperado, começou a amarrar as janelas, as portas e a guardar tudo o que poderia ser levado pelo vento.
Vendo que o vento não parava, ele começou a amarrar as árvores, as pedras e até a si mesmo, para não perder o controle.
Ele pensava: “Se conseguir amarrar o vento, nada mais poderá sair do meu controle.”
Por fim, o vento o derrubou, e ele percebeu que não poderia vencê-lo. Segurando-se em uma raiz de árvore, já muito cansado, ele não resistiu e se soltou.
O que ele pensava ser o fim foi o melhor momento de sua vida. Pela primeira vez, ele sentiu o vento em seu rosto, viu como era bom e sorriu.
Nesse momento, ele percebeu que nem tudo pode ser controlado e que resistir às mudanças só poderia trazer sofrimento. Que muitas coisas só podem ser sentidas, mas não controladas.
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Muito bom.