História persa
Há muito tempo, nas montanhas altas da Pérsia, onde o vento cantava entre as pedras e as nuvens pareciam tocar o chão, nasceu um bebê diferente de todos os outros.
Sua pele e seus cabelos e eram brancos como a neve.
Seu pai, um homem importante do reino, olhou para o menino e, tomado pelo medo e pela ignorância, pensou:
— Isso não é natural, deve ser um mau presságio.
Sem escutar o próprio coração, abandonou o bebê no alto da montanha Alborz.
O pequeno chorou e seu choro ecoou pelo céu.
Mas ele não estava sozinho. Lá no topo do mundo, vivia uma criatura mágica, antiga como o tempo: o Simurgh, a grande ave de penas douradas como sol, com olhos sábios e coração bondoso.
Ao ouvir o choro, ela abriu suas asas imensas e voou até o menino.
Com delicadeza, o Simurgh o envolveu em suas asas e o levou para seu ninho, no topo da Árvore da Vida, onde nasciam todas as sementes do mundo.
E ali, o menino cresceu. A ave o chamou de Zal.
Sob seus cuidados, Zal aprendeu a ouvir o vento, a respeitar a natureza e a compreender o coração das coisas. O Simurgh lhe ensinou que a verdadeira força não está na aparência, mas na sabedoria e na bondade.
Os anos passaram, e Zal se tornou um jovem forte e gentil.
Um dia, ele olhou para o horizonte e sentiu algo novo. Seu coração desejou conhecer o mundo dos homens.
A grande ave ficou em silêncio. Seus olhos brilhavam de tristeza e amor.
Ela então arrancou três penas douradas de sua asa e entregou a Zal.
— Se algum dia precisar de mim, queime uma dessas penas. Eu virei.
Zal desceu da montanha e encontrou seu caminho entre os humanos. Com o tempo, tornou-se conhecido por sua sabedoria.
E foi assim que conheceu Rudaba, uma mulher corajosa, gentil que enxergava além das aparências. Os dois se apaixonaram e decidiram construir uma vida juntos.
Mas, quando chegou o dia do nascimento do filho, algo deu errado. Rudaba estava muito fraca, e o bebê não conseguia nascer.
Desesperado, Zal lembrou-se das penas. Com mãos trêmulas, queimou uma delas.
O céu se iluminou. O vento soprou forte.
Simurgh apareceu, majestoso, como uma chama viva no céu.
Com sua sabedoria ancestral, ela ensinou a Zal como salvar Rudaba e o bebê.
E assim, com coragem e cuidado, mãe e filho foram salvos.
O bebê cresceu forte e valente, tornando-se um grande herói quando adulto.
Zal nunca esqueceu o que aprendeu na montanha: Que aquilo que nos torna diferentes pode ser exatamente o que nos torna especiais.
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