O Cavalo encantado

História persa

Era dia de Ano-Novo no reino da Pérsia. A cidade de Schiraz estava enfeitada para a grande festa, e o rei assistia aos espetáculos quando um estranho apareceu diante de seu trono.

O homem era um viajante indiano e trazia consigo um cavalo negro, ricamente enfeitado. O animal parecia tão perfeito que, à primeira vista, todos pensaram que fosse apenas uma estátua.

— Majestade — disse o indiano —, este não é um cavalo comum. Ele pode levar seu cavaleiro a qualquer lugar em poucos instantes.

O rei ficou curioso.

— Então prove!

O indiano montou no cavalo e perguntou:

— Para onde deseja que eu vá?

O rei apontou para uma montanha distante.

— Traga-me uma folha de palmeira que cresça aos pés daquela montanha.

O indiano girou um pequeno parafuso escondido junto à sela. Num instante, o cavalo subiu aos céus como uma flecha.

A multidão mal teve tempo de acompanhar seu voo. Pouco depois, o cavaleiro voltou trazendo a folha de palmeira. O rei ficou maravilhado.

— Quero esse cavalo! Diga seu preço.

O indiano respondeu:

— Só o entregarei em troca de algo que considero ainda mais precioso: a mão da princesa da Pérsia.

Os nobres ficaram indignados. O príncipe Firouz Schah, filho do rei, também ficou furioso com a proposta.

Mesmo assim, o rei queria conhecer melhor o cavalo e pediu ao filho que o experimentasse.

O indiano tentou explicar como controlar o animal, mas Firouz estava tão ansioso que não esperou as instruções. Montou, girou o parafuso e Zuum!

O cavalo desapareceu no céu. Firouz percebeu tarde demais que não sabia como fazê-lo voltar.

Durante horas, voou acima das nuvens, até encontrar outro pequeno parafuso perto da cabeça do animal. Girou-o e, lentamente, o cavalo começou a descer.

Quando finalmente tocou o chão, já era noite. Firouz estava em um lugar completamente desconhecido. À sua frente havia um enorme palácio. Sem saber para onde ir, entrou por uma pequena porta e encontrou um salão onde os guardas dormiam.

Seguindo uma luz, chegou aos aposentos de uma jovem princesa. Era a princesa de Bengala.

Firouz contou toda a sua história. A princesa ficou surpresa, mas percebeu que ele precisava de ajuda.

— Não tenha medo — disse ela. — Você está sob minha proteção.

O príncipe foi recebido como hóspede e passou alguns dias no palácio. Firouz e a princesa conversavam durante horas, passeavam pelos jardins e contavam histórias de seus reinos. Aos poucos, perceberam que já estavam apaixonados, porém Firouz não conseguia esquecer o pai.

— Preciso voltar para a Pérsia — disse ele. — Meu pai deve estar desesperado. Depois voltarei para buscá-la.

— Então, me leve com você.

Os dois subiram no cavalo e giraram o parafuso, depois de uma longa viagem, chegaram perto da capital. Firouz deixou a princesa e o cavalo em uma casa segura e foi ao encontro de seu pai para contar tudo o que havia acontecido. O rei ficou emocionado ao reencontrar o filho.

— Meu filho! Eu havia perdido a esperança de vê-lo novamente!

Firouz contou sobre a princesa de Bengala e pediu ao pai que permitisse o casamento. O rei concordou imediatamente e mandou preparar uma grande festa, mas havia um problema.

O indiano, que havia passado muitos dias preso por causa do desaparecimento do príncipe, estava furioso. Ao ser libertado, descobriu tudo o que tinha acontecido e decidiu recuperar a princesa e o cavalo encantado.

Chegando ao local onde a princesa estava ele enganou os guardas e convenceu a princesa de que fora enviado por Firouz. Sem desconfiar da mentira, ela montou no cavalo.

O indiano girou o parafuso e desapareceu com ela pelos céus. Quando Firouz soube do que acontecera, ficou desesperado.

Ele vestiu-se como um viajante e partiu pelo mundo à procura da princesa. Depois de muitas semanas, chegou ao reino da Caxemira. Lá, ouviu falar de uma princesa estrangeira que havia chegado ao reino e que, desde então, estava doente de amor.

Firouz se disfarçou de médico, conseguiu entrar no palácio. Quando ficou sozinho com a princesa, aproximou-se e sussurrou:

— Sou eu, Firouz.

Os olhos da princesa se encheram de alegria.

— Eu sabia que você viria!

Ela contou tudo o que havia acontecido e os dois começaram a pensar em uma maneira de escapar. O príncipe descobriu que o cavalo encantado estava guardado no palácio, então teve uma ideia.

Disse ao rei da Caxemira que conhecia um antigo segredo capaz de curar a princesa. Para isso, seria necessário levar o cavalo encantado até a praça principal e realizar uma cerimônia diante de toda a cidade.

O rei concordou e no dia seguinte, uma grande multidão se reuniu.

A princesa apareceu vestida com suas roupas mais bonitas e montou no cavalo encantado. O falso médico aproximou-se, enquanto uma nuvem de perfumes e fumaça escondia os dois da multidão.

Rapidamente, ele montou atrás dela.

— Segure firme! — disse Firouz.

Girou o parafuso e Zuum! O cavalo subiu aos céus. Quando a fumaça se dissipou, os dois já estavam muito longe. A princesa olhou para Firouz e sorriu.

— Agora vamos para casa.

Depois de uma longa viagem, chegaram à Pérsia.

O rei recebeu a princesa de Bengala com alegria e pediu oficialmente sua mão ao rei de Bengala. O pedido foi aceito e pouco tempo depois, os dois jovens se casaram em uma grande celebração, com música, flores e muita comida.

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