A água da vida

Autor desconhecido

Em uma aldeia cercada por montanhas azuis, existia um poço diferente de todos os outros.

A água que brotava dele era cristalina, fresca e brilhante como pequenas estrelas. Quem bebia daquela água sentia o corpo leve e o coração alegre, como se um vento suave passasse por dentro da alma.

As pessoas vinham de longe só para beber daquela água.

— É a melhor água do mundo! — diziam.

Todos eram bem-vindos. Crianças, idosos, viajantes, ninguém era impedido de se aproximar. Bastava chegar, abaixar-se e beber.

Mas, com o tempo, algumas pessoas começaram a pensar diferente.

— Esse poço é especial demais para ficar aberto assim — disse um homem importante da aldeia.

— Precisamos cuidar dele.

E então construíram um pequeno muro ao redor do poço.

No início, parecia uma boa ideia. Depois colocaram um portão. Depois, uma chave. Depois, começaram a cobrar moedas.

— Só entra quem pagar — diziam.

E logo vieram regras:

— Crianças só com autorização.

— Viajantes precisam de permissão.

— Só pode beber em horários determinados.

Aos poucos, o que antes era livre ficou complicado.

De repente, a água começou a diminuir. Dia após dia, o brilho foi sumindo. Até que um dia o poço secou.

— Impossível! — disseram os donos. — Isso não pode estar acontecendo!

Porém, eles continuaram vendendo a água, mesmo sem água nenhuma.

Enquanto isso, bem longe dali, em um lugar esquecido entre árvores e pedras, a água voltou a brotar. Um novo poço havia surgido.

Pessoas que eram curiosas, corajosas e não se conformavam com o poço seco encontraram o novo poço.

A água era pura, viva e brilhante.

Com o tempo, mais pessoas chegaram e como antes cercaram o poço. E, mais uma vez a água foi embora.

A verdade é que a água nunca desaparecia de verdade. Ela apenas se mudava.

Sempre encontrava um novo lugar para brotar — às vezes no meio de uma floresta, às vezes no alto de uma montanha, às vezes até no quintal de alguém que sabia cuidar dela com simplicidade.

Dizem que até hoje a água da vida continua correndo pelo mundo, mas só encontra quem tem coragem de procurar.

Conselho de vó: Assim como essa água, a espiritualidade não pode ser possuída e vendida como um produto.

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