História indígena brasileira
Era uma vez, muito antes das cidades, das ruas e das luzes artificiais, quando o mundo ainda era jovem e cheio de mistérios, existiam dois grandes deuses que cuidavam do céu: Tupã, o criador de tudo, Guaraci, o deus do Sol, e Jací, a deusa da Lua.
Guaraci era forte e brilhante. Todos os dias, ele atravessava o céu levando luz, calor e vida para as plantas, os rios e os animais. Mas, depois de tanto trabalho, ele precisava descansar. E foi pensando nisso que Tupã criou Jací.
Jací era suave e encantadora. Quando Guaraci se recolhia para dormir, ela surgia no céu, iluminando a noite com sua luz prateada. Assim, o mundo nunca ficava completamente escuro.
Na primeira vez em que Guaraci descansou e Jací apareceu, algo mágico aconteceu.
Quando o Sol despertou, curioso para saber quem havia cuidado do céu durante seu sono, ele olhou para o horizonte e a viu.
Jací era tão bela que parecia feita de sonho e silêncio. Seu brilho era delicado, como um sussurro na escuridão. Naquele instante, Guaraci se apaixonou.
Mas havia um problema. Assim que o Sol acordava, era a vez de Jací ir descansar. E quando Jací surgia à noite, Guaraci já estava dormindo. Eles nunca se encontravam.
Mesmo assim, Guaraci não desistiu. Todas as manhãs, ele procurava por ela no céu. E todas as noites, antes de desaparecer, Jací olhava o horizonte esperando vê-lo.
Com o tempo, Guaraci teve uma ideia, decidiu dormir todas as noites mais cedo, na esperança de, um dia, conseguir encontrá-la ao amanhecer.
E foi assim que nasceu a dança eterna entre o dia e a noite, uma busca silenciosa, cheia de amor e esperança.
Enquanto isso, Jací também tinha uma missão muito importante na Terra.
Ela iluminava os caminhos dos caçadores, guiava os viajantes e cuidava dos corações apaixonados. Diziam que, sob sua luz, a saudade crescia dentro das pessoas, fazendo com que aqueles que estavam longe sentissem vontade de voltar para quem amavam.
Por isso, os povos indígenas a chamavam de “mãe dos frutos”, pois ela ajudava a vida a florescer, não só nas plantas, mas também nos sentimentos.
Em noites de lua cheia e lua nova, as aldeias se enchiam de cantos e danças em sua homenagem. Era a forma de agradecer à deusa que iluminava os caminhos e unia os corações.
Mas há quem diga que, no breve instante do entardecer e do amanhecer, quando o céu mistura luz e sombra, é ali que os dois quase se tocam.
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