O falcão e o galho

História taoísta

Era uma vez, em um reino cercado por montanhas e florestas, um rei que adorava animais. Certo dia, um viajante lhe presenteou com dois jovens falcões, aves magníficas de penas brilhantes e olhos atentos.

O rei ficou encantado e entregou os falcões ao melhor treinador do reino.

Em poucas semanas, um dos falcões já voava pelos céus. Ele subia acima das nuvens, fazia curvas no ar e retornava ao castelo com elegância.

Mas o outro falcão era diferente.

Ele passava os dias inteiro pousado em um galho alto no jardim do palácio.

Não caçava.

Não explorava.

Não voava.

Os criados precisavam levar comida até ele todos os dias.

O rei observava aquilo com preocupação.

— O que aconteceu com este falcão? — perguntou ao treinador.

— Majestade, eu não sei. Ele é saudável, suas asas são fortes, mas simplesmente não quer voar.

O rei chamou sábios, treinadores e especialistas de reinos distantes.

Todos tentaram ajudá-lo.

Alguns o incentivavam.

Outros tentavam assustá-lo.

Mas nada funcionava.

O falcão continuava imóvel no mesmo galho.

Os meses passaram.

Até que um dia, um velho camponês chegou ao castelo.

— Majestade, talvez eu possa ajudar — disse ele humildemente.

Sem ter mais ideias, o rei permitiu que tentasse.

Na manhã seguinte, o rei acordou com uma surpresa.

O falcão estava voando!

Girava pelo céu azul, planava sobre os jardins e parecia mais feliz do que nunca.

Maravilhado, o rei procurou o camponês.

— Como conseguiu? Nem os maiores especialistas do reino conseguiram!

O velho sorriu.

— Eu apenas cortei o galho onde ele estava pousado.

O rei ficou sem palavras.

— Cortou o galho?

— Sim, majestade. Enquanto ele tinha aquele galho para se segurar, não precisava descobrir a força das próprias asas. Quando o galho desapareceu, ele não teve escolha. Então abriu as asas e percebeu que podia voar.

O rei observou o falcão cruzando o céu e compreendeu a lição.

Muitas vezes, não é a falta de capacidade que nos impede de crescer.

É o medo de deixar para trás aquilo que nos parece seguro.

E, às vezes, aquilo que parece nos proteger é justamente o que nos impede de descobrir quem podemos nos tornar.

Conselho de vó: Todos nós temos um “galho” ao qual nos agarramos de vez em quando. Pode ser um medo, um hábito ou uma situação confortável demais. Mas é quando encontramos coragem para soltá-lo que descobrimos a força que sempre existiu dentro de nós.

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