Historia japonesa
Há muito tempo, em uma pequena aldeia cercada por montanhas, vivia um menino chamado Akito, ele era muito curioso sobre tudo a sua volta.
Havia anos que os moradores da aldeia falavam de um terrível dragão que vivia no alto da montanha. Por causa do dragão, ninguém se atrevia a subi-la.
Akito, porém, tinha uma dúvida:
— Se ele é tão perigoso, por que ninguém nunca o viu de verdade?
Ninguém sabia responder.
Certa manhã, enquanto ajudava sua mãe a preparar os doces de arroz para sua festa de aniversário, Akito teve uma ideia.
— Mãe, posso convidar alguém para a minha festa?
— Claro!
Akito sorriu. Na manhã seguinte, colocou alguns doces de arroz em uma pequena cesta e começou a subir a montanha.
O caminho era estreito e cheio de pedras. O vento soprava forte entre as árvores, e, quanto mais Akito subia, mais silenciosa ficava a floresta. Depois de algum tempo, chegou a uma enorme caverna. Akito respirou fundo e entrou.
— Dragão! — chamou.
Nada.
— Dragão! Eu trouxe uma coisa para você!
De repente, ouviu-se um rugido tão forte que as pedras do chão chegaram a tremer.
Akito ficou assustado, mas não correu, do fundo da caverna surgiu uma criatura gigantesca. Tinha escamas, enormes asas e dois olhos brilhantes. Quando abriu a boca, pequenas chamas apareceram entre seus dentes.
— Quem é você? — perguntou o dragão.
Akito engoliu em seco.
— Meu nome é Akito. Hoje é meu aniversário e eu vim convidá-lo para a minha festa.
O dragão arregalou os olhos.
— Você veio até aqui para me convidar?
— Sim.
— Você não tem medo de mim?
— Tenho um pouco. Você é muito grande. Mas também fiquei pensando que talvez você esteja sozinho.
O dragão ficou em silêncio.
Akito abriu a cesta.
— Trouxe doces de arroz. Você gostaria de experimentar?
Por um instante, o dragão pareceu não saber o que fazer. Ele se aproximou devagar e pegou um dos doces com a ponta da garra.
Depois de alguns minutos, perguntou:
— Por que você não me odeia?
— Por que eu te odiaria? Eu nem conheço você.
O dragão abaixou a cabeça e contou sua história.
Durante muitos anos, os moradores da aldeia tinham medo dele. Sempre que aparecia perto das casas, as pessoas gritavam, jogavam pedras e fugiam. No começo, o dragão tentava apenas se afastar, mas com o passar do tempo, começou a ficar triste e zangado.
— Então você ficou feroz porque estava sozinho?
O dragão não respondeu. Uma lágrima escorreu de seu enorme olho, depois outra e mais outra. As lágrimas caíram sobre as pedras da montanha e começaram a formar pequenos riachos.
Akito se aproximou.
— Não precisa mais ficar sozinho.
O dragão olhou para ele.
— Você realmente quer ser meu amigo?
— Quero.
Nesse momento, o dragão começou a chorar de verdade.
Suas lágrimas eram tão abundantes que os pequenos riachos se transformaram em uma grande correnteza, descendo pela montanha.
Akito segurou-se em uma das enormes escamas do dragão. O dragão percebeu que a água estava levando os dois montanha abaixo. Ele abriu suas grandes asas e envolveu o menino com cuidado.
As águas formaram um caminho cristalino pela encosta. O dragão transformou seu próprio corpo em uma espécie de barco e levou Akito em segurança até a aldeia.
Quando os moradores viram aquela enorme criatura descendo a montanha com o menino, ficaram apavorados.
Mas Akito levantou os braços.
— Não tenham medo! Ele não quer machucar ninguém!
O dragão abaixou a cabeça.
— Eu só queria que alguém acreditasse que eu também podia ser bom.
Os moradores ficaram em silêncio e perceberam que o menino tinha razão, durante todos aqueles anos haviam julgado o dragão sem sequer tentar conhecê-lo. A partir daquele dia, tudo mudou.
O rio formado pelas lágrimas do dragão passou a fornecer água limpa para a aldeia. As plantações cresceram, os campos ficaram verdes e a vida dos moradores melhorou.
O dragão deixou de viver escondido no alto da montanha e passou a ser o guardião da aldeia, protegendo as pessoas, os animais e as plantações.
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