Autor desconhecido
Era uma vez um homem tão apaixonado pela esposa que, se pudesse, levaria a mulher até para comprar pão. Quando precisava sair, ficava tão preocupado em deixá-la sozinha que inventava mil desculpas para voltar logo para casa.
Certo dia, porém, precisou viajar por alguns dias. Ele estava preocupado com o que poderia acontecer enquanto ele estivesse fora. Depois de pensar muito, teve uma ideia genial: compraria um papagaio!
Mas não seria um papagaio qualquer. Ele procurou uma loja de aves e encontrou um que falava pelos cotovelos. O vendedor garantiu que a ave era capaz de contar tudo o que via e ouvia.
— Tudo mesmo? — perguntou o homem, desconfiado.
— Tudinho! — respondeu o vendedor.
O homem achou aquilo maravilhoso. Comprou o papagaio, colocou-o numa gaiola e levou-o para casa.
— Minha querida, vou precisar viajar. Quero que cuide muito bem deste nosso novo amigo. Ele ficará no quarto e poderá lhe fazer companhia.
A esposa sorriu, mas, quando o marido saiu, olhou para o papagaio com curiosidade.
O marido voltou alguns dias depois e correu para conversar com seu informante emplumado.
— E então, meu amigo? O que aconteceu enquanto estive fora?
O papagaio começou a contar tudo o que tinha visto. Falou de visitas, conversas e de alguns acontecimentos que fizeram o homem franzir a testa e olhar para a esposa com desconfiança.
Ela ficou indignada!
— Como assim? Agora tenho um marido desconfiado e uma ave intrometida dentro do meu próprio quarto?
Ao descobrir que o papagaio era o responsável pelas histórias, a mulher decidiu dar uma lição naquele fofoqueiro de penas.
Esperou o marido sair novamente e pôs seu plano em prática. Chamou três empregados e explicou o que deveriam fazer. O primeiro ficou debaixo da gaiola, girando um moinho de mão sem parar.
— Mais rápido! — ordenou ela.
O homem girou tanto que começou a ficar tonto. O segundo subiu num banquinho e jogou água por cima da gaiola, usando um regador.
— Cuidado para não afogar o papagaio! — avisou a mulher.
O terceiro pegou um espelho e começou a movê-lo de um lado para o outro diante da gaiola, enquanto uma vela iluminava o ambiente.
O moinho fazia um barulho ensurdecedor. A água caía sem parar. E a luz da vela, refletida no espelho, piscava diante dos olhos do pobre papagaio.
A ave ficou apavorada!
— Socorro! O mundo está acabando!
Os empregados continuaram a tarefa durante boa parte da noite, até que a mulher finalmente mandou todos pararem.
Na manhã seguinte, o marido voltou para casa.
Mal entrou, foi direto à gaiola.
— Meu querido papagaio, conte-me! O que aconteceu durante a noite?
A ave estava tão confusa que mal sabia por onde começar.
— Meu bom senhor, foi terrível! Houve relâmpagos, trovões e uma chuva tão forte que pensei que o céu estivesse caindo sobre a minha cabeça! O chão tremia, a água despencava e umas luzes misteriosas piscavam diante dos meus olhos. Nunca passei por uma noite tão assustadora!
O homem arregalou os olhos.
— Que absurdo! Não choveu, não trovejou e não houve um único relâmpago durante a noite!
O marido ficou furioso. Para ele, estava claro que o papagaio era um mentiroso.
A esposa, que escutava a conversa do outro lado da porta, precisou cobrir a boca para não cair na gargalhada.
O papagaio, por sua vez, continuou repetindo:
— Louro quer biscoito! Louro quer biscoito!
E foi assim que o grande espião da casa perdeu toda a sua credibilidade. O marido nunca descobriu o que realmente acontecera naquela noite, e a esposa aprendeu que, às vezes, a melhor maneira de calar um fofoqueiro é deixá-lo contar uma história tão absurda que ninguém mais acredite nele.
Quanto ao papagaio, ganhou uma porção extra de biscoitos. Afinal, depois daquela aventura, ele merecia pelo menos um lanchinho!
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