Autor desconhecido
Era uma vez um padre que viajava pelo sertão, enfrentando estradas de terra, sol escaldante e uma poeira que parecia querer entrar até dentro de suas botas.
Naquela manhã, o calor estava tão forte que ele sentia a garganta mais seca que um pedaço de madeira.
Depois de caminhar por mais algum tempo, avistou uma casinha. Aliviado, aproximou-se da porta e chamou:
— Ô de casa! Tem alguém aí?
Um menino pequenino apareceu. Era tão pequeno que o padre precisou se abaixar para conversar com ele.
— Bom dia, meu filho! Você teria um pouquinho de água para dar a um pobre padre?
O menino coçou a cabeça.
— Água não tem, senhor. Mas tem um pote cheio de garapa, bem docinho. Se o senhor quiser…
O padre abriu um sorriso.
— Garapa? Ora, serve muito bem! Traga um pouco, por favor!
O padre entrou, sentou-se na cadeira e o menino lhe entregou um pote cheio de garapa.
O padre pegou o recipiente e bebeu com tanta vontade que parecia estar tentando engolir o próprio sertão.
Já satisfeito o padre perguntou:
— Meu filho, sua mãe não vai ficar brava com você por ter oferecido tanta garapa a um estranho?
O menino deu de ombros.
— Brava? Não, senhor. Minha mãe não quer mais essa garapa.
— Não quer? Por quê?
O menino respondeu, com a maior tranquilidade:
— Porque tinha uma barata morta dentro do pote.
O padre arregalou os olhos.
— UMA BARATA?!
Deu um pulo tão grande que: CRASH!
O recipiente se despedaçou em mil pedaços.
O menino levou as mãos à cabeça.
— Ai, meu Deus! O que o senhor fez?!
O padre, ainda indignado, respondeu:
— Eu?! O que eu fiz?! Você me ofereceu uma garapa com uma barata morta dentro!
O menino começou a chorar.
— Mas agora é que eu estou perdido!
— Perdido? Por quê?
O menino apontou para os pedaços da cabaça espalhados pelo chão.
— Porque esse pote era da minha avó fazer xixi!
***
