Conferência dos pássaros

História persa

Há muito tempo, em um vale cercado por desertos dourados e montanhas azuis, viviam pássaros de todas as espécies.

Havia pavões orgulhosos, rouxinóis cantores, falcões velozes, papagaios falantes e até pequenos pardais medrosos.

Embora fossem diferentes, todos compartilhavam um mesmo problema: não tinham um rei para guiá-los.

Certa manhã, os pássaros se reuniram em volta de uma velha árvore. Falavam ao mesmo tempo, discutiam e reclamavam.

— Precisamos de um rei forte! — disse o falcão.

— Um rei belo! — falou o pavão, abrindo as penas coloridas.

— Um rei sábio! — cantou o rouxinol.

Foi então que pousou diante deles a Poupa, uma ave de penas douradas e olhos tranquilos. Ela havia viajado por muitos lugares e era conhecida por sua sabedoria.

— Existe um rei — disse ela calmamente. — Seu nome é Simorgh. Ele vive além das montanhas do Monte Qaf.

Os pássaros ficaram maravilhados.

— Então vamos encontrá-lo! — gritaram.

A Poupa abriu as asas e avisou:

— A jornada será longa. Para chegar ao Simorgh, teremos de atravessar sete vales. E cada vale revelará aquilo que existe dentro de vocês.

Mesmo com medo, centenas de pássaros decidiram partir.

No início da viagem, muitos pássaros se distraíram.

Alguns encontraram árvores carregadas de frutas doces e resolveram ficar.

Outros viram lagos cristalinos e esqueceram completamente da jornada.

A Poupa disse:

— Quem só pensa em conforto nunca descobre o que existe além do horizonte.

E seguiram adiante apenas os que tiveram coragem de continuar.

Mais à frente os ventos eram fortes e o caminho difícil.

Os pássaros aprenderam a cuidar uns dos outros.

Quando um pequeno pardal cansava, outro voava ao seu lado.

Quando alguém perdia as esperanças, os outros cantavam para animá-lo.

Ali descobriram que o verdadeiro amor não era possuir, mas ajudar.

Em um vale havia neblina por toda parte.

Os pássaros perceberam que não sabiam tantas coisas quanto imaginavam.

O pavão, que antes se achava perfeito, aprendeu a ouvir.

O falcão aprendeu que velocidade não é sabedoria.

E o papagaio descobriu que repetir palavras não significa entender seu significado.

Ainda tiveram outros vales, atravessaram desertos de desapego, florestas de dúvidas e montanhas de silêncio.

Muitos desistiram pelo caminho.

Alguns tinham medo.

Outros estavam cansados demais.

Mas os que continuaram aprenderam algo importante: a viagem estava mudando seus corações.

Já não brigavam para saber quem era melhor.

Agora voavam juntos.

Depois de muitos anos, apenas trinta pássaros chegaram ao topo do Monte Qaf.

Exaustos, entraram em um palácio brilhante escondido entre as nuvens.

— Onde está o grande Simorgh? — perguntaram.

Então viram diante deles um enorme espelho de água cristalina.

Ao olharem para o reflexo… ficaram em silêncio.

Não havia um rei esperando por eles.

O reflexo mostrava apenas… os próprios trinta pássaros.

A Poupa sorriu.

— Em nossa língua antiga, “Si Morgh” significa “trinta pássaros”. Vocês passaram a vida procurando um rei poderoso sem perceber que a força estava na união, na coragem e na sabedoria que cresceram dentro de vocês durante a jornada.

Os pássaros compreenderam então que ninguém se torna grande sozinho.

O verdadeiro rei não era um pássaro mágico escondido numa montanha.

Era aquilo que eles haviam se tornado juntos.

E, daquele dia em diante, voltaram ao vale não como aves comuns, mas como amigos sábios que aprenderam a voar não apenas com as asas, mas também com o coração.

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