História sobre o Tibet
Há muito tempo, entre as montanhas mais altas do mundo, existia um lugar que quase ninguém conseguia encontrar.
Era um vale cercado por picos cobertos de neve, onde flores coloridas desabrochavam o ano inteiro, rios cristalinos cantavam entre as pedras e pássaros de penas brilhantes enchiam o céu de música.
Aquele lugar chamava-se Shangri-La.
Muitos acreditavam que fosse apenas uma lenda. Outros diziam que era um lugar mágico, escondido das pessoas gananciosas.
Conta-se que somente quem tivesse um coração bondoso conseguiria encontrá-lo.
Em uma pequena aldeia, ao pé das montanhas, vivia um menino chamado Tenzin.
Ele adorava ouvir as histórias contadas por seu avô.
A que mais gostava era justamente sobre Shangri-La.
— Vovô! Esse lugar existe mesmo? — perguntava.
— Alguns passam a vida inteira procurando Shangri-La e nunca o encontram. Outros o descobrem quando menos esperam.
Quando completou doze anos, decidiu partir. Levou apenas uma mochila, um casaco bem quente e um pequeno caderno onde desenhava tudo o que via. Durante muitos dias caminhou pelas montanhas. Encontrou viajantes cansados e dividiu sua comida. Ajudou um velho pastor a reunir suas ovelhas espalhadas pela neve. Salvou um filhote de iaque que havia caído perto de um riacho. Cada boa ação parecia tornar seu caminho mais leve.
Mesmo assim, Shangri-La continuava escondida.
Certa tarde, uma neblina muito espessa cobriu toda a montanha. Tenzin não conseguia enxergar um passo à frente. Foi então que ouviu uma voz suave.
— Está perdido?
Era uma menina vestida com roupas simples e um sorriso tranquilo.
— Acho que sim.
— Então venha comigo.
Sem fazer perguntas, Tenzin a seguiu. Pouco a pouco, a neblina começou a desaparecer. Quando deu o último passo, seus olhos se encheram de surpresa. À sua frente havia o vale mais bonito que já imaginara. As montanhas protegiam um enorme jardim. Árvores carregadas de frutas cresciam ao lado de lagos transparentes. Borboletas coloridas dançavam entre as flores. As pessoas sorriam umas para as outras. Ninguém parecia ter pressa. Ninguém brigava. Todos trabalhavam juntos e dividiam aquilo que possuíam.
A menina explicou:
— Bem-vindo a Shangri-La.
Tenzin não conseguia acreditar.
— Então a lenda era verdadeira!
— Sim, mas há algo que quase ninguém entende.
O menino olhou ao redor.
— Qual é o segredo deste lugar?
A menina pegou um punhado de terra fértil e o colocou nas mãos dele.
— As pessoas acham que Shangri-La é um lugar escondido nas montanhas. Mas o verdadeiro segredo nunca foi o vale.
— Não?
— Não. O segredo está nas pessoas que vivem aqui.
Ela continuou:
— Quem cultiva a bondade, respeita a natureza, ajuda os outros e vive com simplicidade carrega Shangri-La dentro do coração. O vale apenas reflete aquilo que cada morador já possui por dentro.
Naquele instante, Tenzin lembrou-se de todas as pessoas que havia ajudado durante sua viagem. Talvez tivesse encontrado o caminho justamente por causa delas. Ele passou alguns dias aprendendo com os moradores. Aprendeu que ouvir era tão importante quanto falar. Que dividir fazia todos mais felizes. Que a natureza retribui o carinho de quem cuida dela. Quando chegou a hora de partir, ficou triste.
— Nunca mais poderei voltar?
— Sempre que seu coração permanecer bondoso, Shangri-La estará perto de você.
Tenzin desceu a montanha. Contou sua aventura para muitas pessoas. Algumas acreditaram, outras disseram que era apenas uma história. Ele nunca discutia. Sabia que cada pessoa encontraria Shangri-La no momento certo. Porque alguns paraísos não aparecem nos mapas. Eles aparecem dentro de nós.
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